domingo, 15 de novembro de 2015

Por Filosofias Afros



Em toda a modernidade construiu-se teorias, conceitos e ideias que tiveram como resultados, guerras e colonizações, fundadas em perspectiva nazifascista, e, portanto, racistas. Esta ideia foi pautada em teorias universalistas, ao invés de pluralistas. Na maioria das vezes consideravam que a África era um continente a-histórico (sem História).
O evolucionismo foi uma perspectiva que, na maioria das abordagens, se referia a evolução ou desenvolvimento da Europa como prioridade, enquanto as Américas e a África viviam para servir de fonte de matérias-primas para o acúmulo capitalista e por isso, a reboque das nações Ocidentais.
Por muitos séculos desprezou-se teorias milenares e diversas: Excluíam, com isto, a Filosofia oriental, africana, latino-americana, e, neste ultimo caso, as filosofias  predominantemente indígenas.
Apenas na contemporaneidade foi possível recuperar importante acervo teórico dos diversos povos que em muito vieram a contribuir com todas as ciências, o que nos fez identificar a pobreza e a limitação do saber Ocidental. As filosofias que tem sido resgatadas, trazem, na dimensão da aprendizagem, um grande aprofundamento de estudos diversos.
O Mito, o Rito e o Corpo são resgatados do esquecimento do conhecimento. O evolucionismo, apesar da exclusão das teorias das elites, trouxe o filósofo Karl Marx, com a possibilidade da História e da Filosofia das maiorias, e só recentemente foi possível identificar seus sujeitos históricos.
O Mito trouxe dos conhecimentos indígenas e africanos, a origem de tantos saberes que o mundo cristão aboliu com apenas duas dimensões Humanas: o bem e o mal.
O Rito trouxe o exemplo de como os anciãos, os sábios na África e nas Américas (indígenas), ensinam seus jovens; a partir do fazer e do exemplo.
O Corpo trouxe estudo da expressão relacionada aos sentidos, à intenção e as religiões que passam pela ciência e pela leitura da Natureza como centro.
“A História Oral trouxe para nós, a dimensão de que na África, quando um velho morre, é toda uma biblioteca que se queima”. Quem aprofundou este estudo foi o pensador Amadou Hampate Bâ. Para o Filósofo, “a escrita é uma coisa e o saber é uma outra. A escrita é a fotografia do saber, mas ela não é o saber em si. O saber é uma luz que está dentro do Homem. Ele é a herança de tudo que os antepassados haviam conseguido conhecer, o que eles nos transmitiram em semente, como um baobá está para o seu grão.”
 Além da História Oral temos a Etnografia, que trouxe-nos a possibilidade de diversas vivências possíveis. Entre seus pressupostos, à Antropologia que dimensiona o “Outro” como o mais importante dos estudos: se colocar no lugar de um desconhecido, para que, além de buscar  um saber racional, possamos dimensionar o Ser Humano mais profundamente, pois  é indispensável senti-lo.

FONTES:

Ø  NASCIMENTO, Elisa L. (org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. SP: Selo Negro, 2009.

sábado, 19 de setembro de 2015

Por uma História Social da Ética

 A Ética tem sido tema discutido nas diversas sociedades desde a antiguidade até os dias atuais. Há uma enorme diferença nos diversos contextos históricos, mas sempre ocupou corações e mentes que pulsam para tomar as melhores ou mais sensatas decisões. É na relação entre Ética ( que ocupa lugar na construção mental do Ser Humano); e a Moral( que se refere a ação prática do Ser, que este Ser constrói sua identidade.
Na antiguidade foi a divergência entre a teoria e a prática que ocupou o lugar da Filosofia. E foi no nascimento da Filosofia que o tema da ética esteve presente: os Sofistas ocuparam o lugar do Conhecimento neste período. O conhecimento significava o bom discurso, a arte da oratória. Sócrates foi quem questionou que o discurso sem prática não levava a um conhecimento que permitisse ao Ser Humano se conhecer e melhorar a vida das pessoas. Sócrates inaugura perguntas que levariam ao Conhecimento: quem, quando, onde e porque, são as mais conhecidas e que levaram ao aprofundamento e a prática do conhecimento.
Na Idade Média o conhecimento Ético teve uma interrupção com a junção da Igreja com o Estado, quando a Igreja ditava as regras de toda a sociedade e se baseava no direito consuetudinário, ou seja, de uma lei baseada nos costumes religiosos. Alia-se a isto, o fato da proibição da leitura, onde só uma bíblia podia ser lida em voz alta, com o canto gregoriano. Assim, só poderia agir, a partir destes costumes; qualquer outra forma de pensar e agir eram vista como crime.
Na Idade Moderna, a abolição dos feudos e a construção do Estado Nacional Moderno, levou aos reis, com a dificuldade de reinar um grande território, uma nação e não mais um feudo. A partir de então, a leitura passou a ser uma necessidade, onde se recomeçou a ler, traduzindo os clássicos antigos, retomando onde a humanidade havia parado. Desta vez a discussão era a Arte de governar, de viver, cultivar e o saber criar - a ciência ganha destaque. Os modernos aprofundaram a questão da ética e a relação entre ética e moral, ou seja, a teoria e a prática ética, que reconfigurou todo o período moderno.
Na Idade Contemporânea, a ética se torna atomizada, ou seja, individualista ao extremo. Como a divisão de classes sociais se tornou mais forte, passou-se a perceber que não havia mais a busca por uma Ética Universal, e sim a busca de uma minoria, pelo lucro máximo. Aliada a discussão da tecnologia, por exemplo, trouxe-nos a discussão dos interesses cada vez mais individualizados.

 A Ética se tornou uma questão fundamental nos dias atuais, com a emergência da Filosofia e das demais áreas humanas na escola que os governos insistem em retirar do currículo escolar, dificultando o pensar antes de agir, o Ser mais importante do que Ter, a Humanidade mais importante que o lucro, o que contribuiria para um mundo mais harmonioso e justo e por isso, muito perigoso para as classes dominantes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Livro didático de Filosofia

http://home.ufam.edu.br/andersonlfc/Economia_Etica/Convite%20%20Filosofia%20-%20Marilena%20Chaui.pdf

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Pólis grega: o início do direito à cidade

A Grécia  no período Arcaico ( entre os séculos VIII a. C.  e  VI a. C.)passou por transformações nas relações econômicas, sociais e políticas que se traduziram em questões fundamentais do período, tais como a re-descoberta da escrita; a moeda  com a democratização do valor; a lei escrita sem a interpretação do mito vislumbrando a ideia  da vontade divina; e o nascimento da Polis, onde elaborou-se a ideia de justiça.
Quanto à escrita, já existia no mundo micênico, mas desapareceu no século XII a.C.  e ressurgiu apenas  entre os séculos IX e VIII a. C. por influência dos Fenícios. É a fixação da palavra para além do discurso, desta vez com rigor e compreensão, e o estímulo ao pensamento crítico e a abstração, com  reflexão aprimorada e profunda.
Quanto à moeda, foi inventada com o desenvolvimento do comércio marítimo e  a expansão da colonização da Magna Grécia ( atual Sicília e Sul da Itália) e da Jônia ( hoje litoral da Turquia). A moeda veio facilitar negócios e impulsionar  o comércio, enriquecendo comerciantes, o que acelerou a substituição de valores aristocráticos por valores da nova classe em ascensão -  foi a democratização do valor. A moeda sobrepunha aos símbolos sagrados, com o caráter racional em sua concepção: Passa a ser uma convenção Humana com a noção abstrata de valor que estabelece medida comum de valores diferentes.
A lei escrita possibilitou a justiça. Legisladores como Drácon, Sólon e Clístenes sinalizavam uma Nova era, pois até então, a justiça dependia da interpretação da vontade divina ou da arbitrariedade dos reis que utilizavam os mitos e interpretavam a seu favor. A norma se tornou comum a todos os cidadãos e sujeita a modificação.
O nascimento da Polis (cidade grega); se deu por volta dos séculos VIII e VII a.C. e orginalmente a Polis tem como centro, a Ágora( Praça pública) espaço onde era debatido os problemas de interesses comuns.
Assim elaborava-se o ideal de justiça pelo qual, todo cidadão tinha o direito ao poder.
 A noção de justiça assumia caráter político e não apenas moral, ou seja, não dizia respeito apenas ao indivíduo e aos interesses da tradição familiar, mas  a sua atuação na comunidade.
Assim ficava garantida a Isonomia (igualdade perante a lei). Do mesmo modo que a Isegoria, significava a igualdade do direito à palavra na Assembleia. De fato a Polis (no caso, o direito à cidade) se fez pela autonomia da palavra e não da palavra mágica dos Mitos, dada pelos deuses e, portanto comum a todos, mas a palavra humana, do conflito, da discussão, da argumentação.
Expressar-se por meio do debate fez nascer a política que permite ao indivíduo tecer seu destino na praça pública. Da instauração da ordem humana surgiu o Cidadão da Polis, antes inexistente no mundo da comunidade tribal e das aristocracias rurais.
No entanto, ainda que a democracia fosse direta, em que não eram escolhidos representantes, mas cada cidadão participava ele mesmo das decisões de interesse comum (neste caso o apogeu se deu no período do governo de Péricles, ano V a.C.). É preciso ressaltar que a maior parte  da população se achava excluída do processo político, tais como os escravos capturados em suas tribos e cidades além mar e as mulheres e os estrangeiros (metecos), mesmo que estes fossem prósperos comerciantes.
Apesar disso, o que vale enfatizar são a transformação e uma concepção inovadora de poder, a democracia. O que ficou como um legado deixa também anunciar  o seu porvir: a liberdade e a igualdade estendida para que todos tenham direito à cidade e sejam realmente cidadãos.

Fontes:
 KONDER, Leandro. Filosofia e Educação – de Sócrates a Habermas: Forma & Ação; In “Fundamentos da Educação”, org. por Zaia Brandão,  . Rio de Janeiro; Departamento de Educação da PUC-Rio; 2006.

 ARANHA, Maria Lúcia de A. “Filosofando: introdução à Filosofia” 5ª ed. São Paulo; Moderna, 2013.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Filósofos no tempo: Fragmentos e síntese de uma geração...



Fragmentos no tempo: Os Filósofos Pré-Socráticos e a síntese dos educandos de uma geração

Na Exposição que ora apresentamos, dimensionamos o trabalho de aprendizagem em sala de aula a cerca dos Filósofos Pré-socráticos. Denominamos Pré-socrática, a referência de Sócrates, representante do pensamento clássico que influenciou os grandes filósofos da antiguidade e até os dias atuais nos apresenta sua atualidade, que por sua vez continuaremos a trabalhar neste bimestre. Como muitas obras dos primeiros filósofos foram perdidas, restando fragmentos e comentários feitos por filósofos posteriores e soltas num longo período, é que resolvemos apresentar suas frases também soltas, tais como foram recuperadas ao longo do tempo e que até os dias atuais continuam nos levar a reflexão filosófica. Os Filósofos Pré-socráticos abandonaram os relatos míticos e buscaram respostas por si mesmos por meio da razão. Neste sentido, apresentamos aqui, além da citação de alguns dos filósofos pré-socráticos, o pensamento em grupo dos educandos, com o objetivo de discutir a filosofia e o filósofo de forma mais ampla, ou seja, retomando a ideia de que somos todos filósofos. Além disso, dos fragmentos aqui expostos, refizemos o caminho da pesquisa de cada pré-socrático, trabalhando trandisciplinarmente a compreensão, a reflexão e desta vez a síntese aqui exposta neste trabalho. Tomamos ainda, a estética do cordel, redimensionando-a numa perspectiva atual, colorida e envolvente da geração dos nossos educandos que apresentam aqui a Filosofia no tempo presente.

sábado, 30 de maio de 2015

Leandro Tristan: Um ensaio em homenagem ao Filósofo Leandro Konder

Em homenagem ao filósofo Leandro Konder, foi feita neste ano, a republicação da revista com um ensaio sobre Flora Tristan escrita pela professora e agora disponível por aqui...Confira artigos, ensaios, entrevistas e textos pesquisados especialmente para esta publicação. Você pode ler on line ou baixar em pdf para o seu smartphone ou pc no link a seguir: http://www.academia.edu/10304364/Chronos_UNIRIO_Leandro_Konder

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Desta vez, o Corpo: A Filosofia e a diversidade do conhecimento.

Introdução:
Desde  a década de 1980 discutimos  no campo da educação, a relação entre a Filosofia quanto àsua própria disciplina( a tradição científica da mesma) e o papel que a mesma desempenha em relação ao desenvolvimento do conhecimento humano. Referimo-nos q a transversalidade com as demais áreas de conhecimento, e as que já são  instrumentos de conhecimento, assim como  identificou Piaget em seu estudo na década de 1980 e a sua tradução  nos PCN´s:

“o papel do educador deve se referir ao animador, criador de situações, armar dispositivos para suscitar problemas que levem a reflexão com métodos ativos, conduzindo pesquisa espontânea, com toda verdade reinventada pela criança e pelo adolescente com a intenção de multiplicar vocações das quais a sociedade carece atualmente com caráter interdisciplinar em oposição ao fracionamento(...)” (PIAGET, J. 2011 pp.20-24)

Quanto a transdisciplinaridade e a possibilidade de dialogar com instrumentos de conhecimentos diversos, e, ao mesmo tempo afirmar a necessidade da Filosofia enquanto Ciência para o ensino médio,  que projetamos algumas atividades para este segundo bimestre de 2015. Tais como apontam os PCN’s:

 “ A reforma curricular  do ensino Médio estabelece a divisão do conhecimento em áreas, uma vez que entende os conhecimentos cada vez mais imbricados aos conhecedores, seja no campo técnico-científico, seja no âmbito do cotidiano da vida social em três áreas(...) tem como base a reunião  daqueles conhecimentos que compartilham, comunicam e criam condições para que a prática escolar se desenvolva  numa perspectiva  de interdisciplinaridade” PCN’s pp.19-20

Justificativa:

Partindo da análise da leitura e da escrita do educando do ensino médio e mais especificamente no Colégio Amaro Cavalcanti deste primeiro bimestre, que foi percebido o quanto a Filosofia  é capaz  de aprofundar o Conhecimento. O tema em si faz parte do currículo nesta fase de aprendizagem dos educandos, mas também é capaz de tranversalizar com áreas de conhecimento diversas.
É com esta percepção esboçada aqui e analisada por mim, que identifiquei a necessidade de trabalhar com o Corpo, tal como elaborado no planejamento anual no início do ano de 2015.
O Corpo nos dias de hoje tem sido pensado em perspectivas diversas. Em nosso caso, partimos do princípio que o corpo emite saber. Neste sentido é que foi possível fazer uma leitura mais profunda do conhecimento corporal  no campo da Filosofia, observando  como os próprios educandos elaboram o Saber.

Objetivo específico:

Percebemos aqui, que alguns exercícios nos permite identificar as dificuldades de aprendizagem do educando. O trabalho contínuo e a reelaboração interna  do conhecimento no interior do próprio corpo  leva a reelaboração  mais profunda do conhecimento. Neste caso, conceber-se e conhecer-se, identifica para nós e principalmente para o educando, como o saber se manifesta.
 Por isso destacaremos  um tema da Filosofia comum aos professores de Filosofia, mas com uma abordagem dinâmica. Trata-se da Filosofia socrática e seus desdobramentos quanto ao tema do Conhecimento desde a concepção de Sócrates. Como parte do currículo mínimo tanto no primeiro, quanto no segundo ano do ensino médio, estamos trabalhando  uma encenação que  envolve as diversas formas do Saber, tais como a escrita, a imagem, a expressão corporal,  o desenho, a dança  e a representação.

Culminância:

Contando com a parceria entre  direção-coordenação-professora já selada  no bimestre anterior, daremos continuidade a uma apresentação que dará destaque à nossa escola junto à Comunidade Escolar como um todo.
Por isto a nossa apresentação se dará com o trabalho de expressão corporal, que precisará da liberação da quadra ou auditório nas quartas-feiras (manhã e tarde), e a  representação teatral,  com a dança urbana e o coral.

Cronograma e viabilização:

 Nossa culminância  deverá acontecer entre  os dias 17 e 24 de junho. Para consecução da mesma, pensamos na Filosofia e na Arte Urbana com representação na Praça do Largo do Machado, precisando, portanto,  de autorização prévia e segurança  das autoridades afins  para a culminância do projeto em questão.

Fontes:

 PIAGET, Jean. “ Para onde vai  a Educação?” Rio de Janeiro; Ed. José Olympio; 20. Edição, 2011.


PCN’s: Parâmetros Curriculares Nacionais.

terça-feira, 31 de março de 2015



Kandinsky: A Filosofia e a Arte

Vimos em sala de aula  de que forma a Filosofia pode ser pensada em relação à arte ao caso de percebê-la  a partir do sentimento do Ser: De dentro pra fora. Ou seja, a Filosofia não está fora de cada um de nós, ela deve ser instrumento  para pensarmos com profundidade as questões da Vida e aqui, mais especificamente, as questões que envolvem a Filosofia e a Arte.
Desde o momento que nascemos até chegarmos aqui, no ensino médio, temos formas de pensar diversas, pois nosso modo de pensar depende da História individual de cada um, como cada um aprendeu a se relacionar consigo mesmo e com o outro. Assim a Filosofia se apresenta como a forma que nos relacionamos com o que aprendemos com outras pessoas, como lemos a Vida em nossa volta, e o mundo.
 Valemo-nos do conhecimento que trazemos e como lidamos com o que aprendemos, mais especificamente com a aprendizagem de  filosofar.
Em alguns momentos refletimos sobre a relação  de cada um de nós com o nosso corpo. Observamos que o corpo expressa saber, pois nos identifica de que forma agimos no mundo, de que forma ocupamos o espaço que vivemos e nos relacionamos.
Enfim, passamos a perceber de que forma aprendemos e colocamos em prática o que aprendemos, ou de outra forma, de que forma pensamos sobre nossas atitudes, como nos posicionamos diante do mundo.
 Pois bem, se somos seres singulares, únicos entre nós mesmos, e a nossa postura quanto ao outro é que forma um diálogo  com  troca de saberes, aprendemos e construímos a nossa cultura, e assim nos identificamos com   o que aprendemos juntos, em coletividade.
Num primeiro momento,  no contato com o outro Ser, queremos ou não o saber,. Encontrando algo significativo  e que faça eco dentro de nós; no momento seguinte, nos deparamos com o entendimento do saber, mas que precisa de algo a mais para que faça parte de nós; daí a compreensão do saber nos faz lembrar algo,  nos faz conviver com este saber  e seguidamente podemos nos explicar. Cada explicação será singular, cada um se expressa de uma forma, por isso não  há UMA explicação para tudo,  e sim uma explicação de cada um de nós, do nosso íntimo, de como aprendemos  a lidar com o saber,  neste caso ninguém explica, mas explicamo-nos.
É neste sentido que a Obra de Kandinsky também se torna significativa para nós, pois é o primeiro artista  a expressar seu pensamento, sua Arte de dentro para fora, filosoficamente imprescindível para nós.
Wassily Kandinsky defendeu a liberdade de criação. Para tornar significativa a sua Obra, é preciso conhecer como esta concepção de Arte nasceu. Kandinsky foi um Artista Russo. Indignado com a miséria, a falta de liberdade e a dificuldade de trabalhar a sua Arte, pois a Rússia vivia sob uma monarquia, o governo do Czar, que dificultava o desenvolvimento da Rússia que, sem nenhuma mudança, e, mesmo diante das transformações que a Europa passara, a Rússia ainda vivia sob um reino, atrasado.
Kandinsky mudou-se para Alemanha onde conseguiu desenvolver a sua Arte e, longe de fugir da sua responsabilidade de Cidadão russo, se corresponde com artistas do mundo todo e se engaja na Revolução Russa. Neste momento, de 1905 a 1917,  a Rússia vive uma profunda Revolução. Era preciso repensar toda a forma de convívio Humano em todas as suas dimensões. Era preciso alfabetizar os camponeses, que seriam livres para o plantio, para pensar sobre suas condições. Por isso era preciso pensar livremente, era preciso pensar como não mais viver sob o manto do rei, e deixar recair sob os ombros de cada russo, a sua responsabilidade política de construir outra Sociedade.
Kandinsky e diversos outros artistas passaram a pensar livremente a sua arte. A Poesia se desenvolvia em cada esquina, as artes plásticas tiveram um furor de criação, há muito não vivido por diversos povos.
Kandinsky assinou o Manifesto Concretista para que a Arte servisse a Revolução. Todos tinham a tarefa de transformar coletivamente a Sociedade, e os artistas se propuseram assumir também esta responsabilidade. Fora professor, construiu museus nos lugares mais pobres da Rússia e foi conhecer a cultura do povo pobre.
 Mesmo Kandinsky não sendo um concretista, a Revolução iria melhorar a Vida de todos, já que todos defendiam o governo da maioria. Era o Comunismo como finalidade  e o Socialismo como um caminho. Kandinsky assumiu o papel de fazer a Revolução com a maioria.
 No entanto, com a morte de alguns líderes da URSS, Josef Stálin assumiu o poder e muitos foram expulsos, presos, obrigados a confessar crimes que não cometeram e o Socialismo se transformou num Capitalismo de Estado. Os expurgos foram muitos: líderes como Leon Trotsky, que fora chefe do exército Vermelho durante a Revolução, foi perseguido por Stálin e sua polícia e morto no México depois de passar por diversos países dominados pelo medo das polícias políticas da URRS e dos EUA, a KGB e a CIA respectivamente, que aumentavam seu contingente pelo mundo biplolarizado entre estes dois países com seus respectivos Sistemas em destaque: o Socialismo (que se tornou um  Totalitarismo depois da morte e do expurgo de seus principais líderes pelo poder totalitário de  Josef Stálin e sua polícia) ou o Capitalismo, que em suas formas de poder, se dividiu entre o nazismo, o fascismo o franquismo, ou o Capitalismo estadunidense. Um grave exemplo desta violência foi com a morte de Maiakovski, um dos mais completos artistas que se engajou na  Revolução. Muitos artistas não agradavam os poderosos: A arte faz o povo pensar.

Kandinsky continuou com sua arte, questionando estes rumos da URSS. Desfez-se do Manifesto Concretista, que tinha se desviado de princípios  de liberdade, para se tornar  a arte oficial da Revolução e impedia que seus artistas fizessem o que sentiam. Era o fim da Revolução e o início  da Reação, com o totalitarismo de Stálin. Kandinsky na Alemanha deu aulas na Escola Bauhaus, onde se correspondeu com artistas impressionistas. Como vimos em sala, o impressionismo nas artes plásticas se apresentava valorizando mais as cores que  os desenhos. Ao valorizar as cores, dá ênfase ao claro e ao escuro, dimensionando um caminho luminoso que o Ser Humano deve trilhar. É neste sentido que a arte impressionista dialoga com a teoria positivista no âmbito político. Ao invés do desenho, são as pequenas pinceladas que fazem da arte impressionista, singular. Na arte impressionista, percebemos como as formas escondem um véu de realidade que para estes artistas era uma questão. A realidade não estava fora do Ser, cada um traria dentro de si. Mas no impressionismo, a figura da realidade é que era importante. Na Alemanha, Kandinsky também começou a se confrontar com o novo governo que nascia: Hitler e o nazismo. Sua arte foi tida como suja, e ele foi obrigado a sair da Alemanha como muitos outros artistas.
Kandinsky  Seguiu para a França onde passou a conhecer e se relacionar com diversos artistas.
Ao romper com o impressionismo, se relacionou com diversos outras tendências da arte e passou a defender o expressionismo. O expressionismo deveria ser a expressão interior do artista, individual, emocional, de dentro para fora, diferente do impressionismo que defendia uma impressão da realidade. Daí  a relação entre Arte e Filosofia.
Ao dialogar com a música, trouxe o músico Arnold Schoenberg para o centro  da sua postura na arte, investigando a relação entre a música atonal e  a atonalidade das cores em sua arte plástica. Neste sentido, a música e a cor eram sensações importantes na experiência interior do artista.  Enquanto a música apresenta um tronco harmônico que podemos comparar com o refrão, a música atonal abandonava o refrão e punha em condição infinita a criação musical, que assim  Kandinsky também buscava. Assim como na música, Kandinsky comparava  o universo das cores, quando a mistura das cores davam tons infinitos em sua Obra.
Na França, as diversas tendências da Arte também dialogavam. A produção cinematográfica seguia o mesmo caminho. O espectador chegava  a receber uma cartela que era raspada ao iniciar o filme. Com esta cartela, o espectador sentia os cheiros construídos como parte da linguagem cinematográfica do filme que passava na tela, de cunho expressionista.
 Todos os sentidos eram fundamentais na arte, defendia Kandinsky. Ao criticar  a arte da vanguarda burguesa que defendia  a visão e a audição como sentidos primários e primeiros, e a realidade como  condição da igualdade de todos; os demais sentidos, eram vistos como secundários para a arte burguesa.
Kandinsky defendia então  que as cores tinham sentido. É Kandinsky quem vai relacionar as cores com as emoções. Para o artista, o vermelho deveria significar a paixão, o fogo; assim como o azul transmitia uma ideia de paz. Neste sentido que as cores ganham destaque em sua arte.
Kandinsky passa do expressionismo ao abstracionismo observando  o desfazer da concretude na arte. Desta vez dá mais liberdade às imagens soltas no quadro, como fossem notas musicais dançando, dando  movimento   a sua obra,  e, questionando os limites do quadro. Utiliza também areia para dar  a ideia de ir além do quadro, que deveria se desfazer  e dar liberdade aos sentidos, as emoções, à arte que para nós deixa um grande legado.
 Quando observamos a arte  em grafite, vimos o sentido da pulsação da arte de Kandinsky, além de transpor  a linguagem fechada e questionar  a arte de vanguarda e burguesa, fechada em círculos burgueses que não  deixarão de fazer da arte objeto de enriquecimento, com Obras em bolsas de valores e disputadas por  imperialistas que , dessa forma também manifestam seu poder e sua ideologia.
 A essência da Arte de Kandinsky pode ser sentida pelo grafite, mas também no Hip Hop como um todo, e em diversos movimentos culturais, artísticos das classes populares e religiosidade, também possibilitou que a arte fosse sentida pelas maiorias, como a arte em areia, pedras, muros e também por cegos e surdos que também se expressam artisticamente, porque na História da Arte, Kandinsky relacionou cores aos sentidos.
 Na Filosofia, a razão dá lugar aos sentidos,  Kandinsky questiona a razão única, o pensamento único,   que põe fim a liberdade criativa do Homem,  que deve pensar de dentro para fora sobre as questões que o dominam, como a mídia, os governos e tantas formas de dominação que o Ser Humano precisa libertar-se das  inúmeras correntes que adormecem os sentidos do Homem.

Por isso a Arte  apresenta, no caso de Kandinsky,  a forma mais palpável de pensar filosoficamente as questões que fazem parte  das Ciências Humanas,  e disso depende a transformação do Ser para construção de um Mundo justo, onde todos possam e devam se expressar sobre  questões que  oprimem  e  libertam para o conhecimento.

sábado, 14 de março de 2015

Filosofia: Uma abordagem

Nos remetemos a definição de Filosofia, da forma mais simples  para a mais complexa: Amor à Sabedoria. O aprofundamento  do conhecimento  para nós,  é a questão mais importante para o estudo da Filosofia. Para isso, precisamos  enxergar a realidade para além  do que a grande mídia e os sucessivos governos liberais nos relega: a superficialidade  do saber  e ainda  conceber a vida pela aparência e não pela essência das coisas, das pessoas e do mundo.
Por isso quando definimos a Filosofia  como "Amor à sabedoria" nos remetemos primeiramente ao "Amor, como um sentimento fundamental para a Filosofia, pois  nos  referimos a sensibilidade mais profunda do Ser Humano. O Amor  está presente em todos os Seres e todos os Seres Humanos nascem de uma relação de Amor. Se ainda, este sentimento não se universaliza aqui,  se faz presente  na busca pela realização do sentimento amoroso. Aqui concebemos o Amor num plano universal, que identificamos, ora no amor  entre os Seres Humanos,  entre o Ser  e os animais,  entre o Ser e  a música e para nós entre o Ser  e o Saber.
Quanto a relação  do amor ao saber, nos referimos a busca do ser humano   pela concretização do sentimento do amor. É preciso que  o Ser explique-se para o outro ou para concretizar o saber ; esta explicação acontece com o encontro do Ser como uma forma de Saber para além de um saber longe do Ser, pois se daria com a explicação do  próprio Ser diante do Saber,  o que definimos aqui como Sabedoria.  
Por isso essa explicação do Ser Humano é sempre singular, vem de cada Ser, e não se refere ao Saber descolado do Ser, por mais que  o saber em si possa ser o mesmo para todos, cada um concebe, explica de uma forma, que se relaciona com a vivência de cada um, com a sua cultura familiar, social e histórica diante do mundo, enfim, explica-se.
Por isso temos na busca do conhecimento, fases diferenciadas da aprendizagem: Num primeiro momento temos um contato com o saber,  em seguida podemos nos aproximar com o entendimento sobre o saber ora concebido, mas é com a compreensão que temos uma convivência com o saber, quando lembramos depois, fazemos relação com algo  que vivemos ou aprendemos e não esquecemos. Já a explicação é que remonta o sentimento do Ser e sua Singularidade. Nunca , porém explicamos algo, mas nos explicamos. Isto se dá em função da Singularidade do Ser e por isso um explicar-se; uma explicação diferenciada de cada Ser, diferenciada e diversa como vimos. Mas  para explicar-se, aliamos  esta experiência diferenciada de cada Ser , com a sua forma de sentir, pensar e agir, que alia a forma  de como este ser explica-se, pois traz em si um jeito diferenciado,  uma dimensão mais profunda, é neste momento que sobressai em cada um de nós uma Sabedoria, e, de forma individual, diferente e diversa  de qualquer outra.
 Por isso que a Filosofia se apresenta como definição profunda e urgente de cada Ser Humano: Quando sai da superficialidade, perpassa o sentimento e sai numa  busca profunda de cada Saber, e que se manifesta de dentro para fora, quando a Sabedoria se faz presente.
Em tempos de superficialidade midiática  e de saberes desencontrados dos Seres, a pulsação crítica de cada Ser Humano alia-se a necessidade de con-viver entre os Seres e  propõe outra forma de convívio humano.

Filosofia: O contexto da disciplina na atualidade

Entre 2014 e 2015  a grande mídia resolveu questionar  a avaliação do ENEM, tendo em vista, num primeiro momento, os resultados obtidos nas notas de Português e Redação. As respectivas notas eram demasiadamente díspares, pois  colocava em questão o estudo da gramática e sua aplicabilidade à redação. Os  resultados indicaram que, os excelentes resultados em Língua  Portuguesa foram muito maiores  que a Redação, que por sua vez tiveram notas muito baixas, numa proporção que ultrapassou  os 50 por cento de diferença.
Atualmente, além dos  professores dos diversos níveis  apontarem este problema,   desde  a luta pela construção por Diretrizes  e bases de uma educação nacional desde a década de 1980, este problema já estava em pauta. 
No entanto, as notas do ENEM tomaram a mídia em função dos interesses da grande burguesia em acabar com tal avaliação, já que a mesma contribui minimamente para democratizar  à educação para as classes menos favorecidas.
Sem esquecer da discussão mais ampla do intuito  da grande mídia e os interesses quanto à privatização da educação e tendo em vista  a dimensão política deste debate,  educadores de todo o país apontam  em pesquisas, teses, dissertações e congressos há mais de vinte anos,  a questão do aprofundamento dos temas  de redação, que passam necessariamente  pela prioridade  do aprofundamento sociológico e filosófico ancorado  nas demais disciplinas  das Ciências Humanas, como a História, a Geografia, a Língua Portuguesa e a Redação.
Na década  de 1980 quando  a Lei de Diretrizes e Bases  da Educação foi motivo de muito debate, muita luta,  cerca de  118 greves foram feitas no final da década de 1970 e início de 1980 e,  aliando à luta pela inclusão pelas maiorias das classes menos favorecidas nos bancos escolares, este número de greves passou a somar mais de 2 mil greves no final dos anos 1990 (NORONHA, 1991:95). Esta foi parte de uma luta  que se somava, inclusive,  à luta pela democratização da educação, com  professores e estudantes à frente das lutas e debates que levaram à  implantação da LDB, pautada  pelos próprios professores, mas que  no entanto,  só em 1996  a lei foi implementada pelo governo  Fernando Henrique. Mesmo assim depois que retirou-se  a pauta das mãos dos professores  e passou-a  para as mãos do Sociólogo Darcy Ribeiro, que fez a redação da lei para o governo.
  A Sociologia e a Filosofia foram retiradas por mais de vinte anos pelos sucessivos governos da Ditadura Civil Militar no Brasil (1964 -1985) do currículo escolar,   com a Lei 5.692 posta em prática  em  1971.
Na luta pela implementação da LDB - a Lei de Diretrizes e Bases  da Educação Nacional, apontavam a demanda da redemocratização do país  visando a necessidade  de   aprofundamento das Ciências Humanas, com a  reinserção do estudo da Sociologia  e da Filosofia junto a inclusão das maiorias  das classes excluídas na escola pública, que até o fim da Ditadura Militar em 1985 era privilégio das elites.
Embora a polêmica não pare por aí, foi retirado novamente  em 2014  do currículo do Ensino Médio, metade dos tempos de Sociologia e metade dos tempos de  Filosofia, ficando o debate, na esfera institucional( do governo) e com diversos professores abandonando as escolas, chegando   a mais  de 100 (cem) professores por dia no Estado do Rio de Janeiro,de acordo com  pesquisa feita em fevereiro de 2015 no Diário Oficial pelo blog observações educacionais.
A justa luta pela reinserção da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio nos faz pensar o porquê  da insistência em retirá-las da grade  curricular...com a máxima: Pensar é perigoso? Por qual motivo? 
Para nós, o aprofundamento de questões como estas não se deve restringir somente ao professor, já que o interesse pela educação provém também  do estudante e pela qualidade na educação para que possam continuar estudando, se insiram no mercado do trabalho,  e  sobretudo passem a ver seus direitos respeitados e por isso  saibam os caminhos de conquistá-los.