terça-feira, 31 de março de 2015



Kandinsky: A Filosofia e a Arte

Vimos em sala de aula  de que forma a Filosofia pode ser pensada em relação à arte ao caso de percebê-la  a partir do sentimento do Ser: De dentro pra fora. Ou seja, a Filosofia não está fora de cada um de nós, ela deve ser instrumento  para pensarmos com profundidade as questões da Vida e aqui, mais especificamente, as questões que envolvem a Filosofia e a Arte.
Desde o momento que nascemos até chegarmos aqui, no ensino médio, temos formas de pensar diversas, pois nosso modo de pensar depende da História individual de cada um, como cada um aprendeu a se relacionar consigo mesmo e com o outro. Assim a Filosofia se apresenta como a forma que nos relacionamos com o que aprendemos com outras pessoas, como lemos a Vida em nossa volta, e o mundo.
 Valemo-nos do conhecimento que trazemos e como lidamos com o que aprendemos, mais especificamente com a aprendizagem de  filosofar.
Em alguns momentos refletimos sobre a relação  de cada um de nós com o nosso corpo. Observamos que o corpo expressa saber, pois nos identifica de que forma agimos no mundo, de que forma ocupamos o espaço que vivemos e nos relacionamos.
Enfim, passamos a perceber de que forma aprendemos e colocamos em prática o que aprendemos, ou de outra forma, de que forma pensamos sobre nossas atitudes, como nos posicionamos diante do mundo.
 Pois bem, se somos seres singulares, únicos entre nós mesmos, e a nossa postura quanto ao outro é que forma um diálogo  com  troca de saberes, aprendemos e construímos a nossa cultura, e assim nos identificamos com   o que aprendemos juntos, em coletividade.
Num primeiro momento,  no contato com o outro Ser, queremos ou não o saber,. Encontrando algo significativo  e que faça eco dentro de nós; no momento seguinte, nos deparamos com o entendimento do saber, mas que precisa de algo a mais para que faça parte de nós; daí a compreensão do saber nos faz lembrar algo,  nos faz conviver com este saber  e seguidamente podemos nos explicar. Cada explicação será singular, cada um se expressa de uma forma, por isso não  há UMA explicação para tudo,  e sim uma explicação de cada um de nós, do nosso íntimo, de como aprendemos  a lidar com o saber,  neste caso ninguém explica, mas explicamo-nos.
É neste sentido que a Obra de Kandinsky também se torna significativa para nós, pois é o primeiro artista  a expressar seu pensamento, sua Arte de dentro para fora, filosoficamente imprescindível para nós.
Wassily Kandinsky defendeu a liberdade de criação. Para tornar significativa a sua Obra, é preciso conhecer como esta concepção de Arte nasceu. Kandinsky foi um Artista Russo. Indignado com a miséria, a falta de liberdade e a dificuldade de trabalhar a sua Arte, pois a Rússia vivia sob uma monarquia, o governo do Czar, que dificultava o desenvolvimento da Rússia que, sem nenhuma mudança, e, mesmo diante das transformações que a Europa passara, a Rússia ainda vivia sob um reino, atrasado.
Kandinsky mudou-se para Alemanha onde conseguiu desenvolver a sua Arte e, longe de fugir da sua responsabilidade de Cidadão russo, se corresponde com artistas do mundo todo e se engaja na Revolução Russa. Neste momento, de 1905 a 1917,  a Rússia vive uma profunda Revolução. Era preciso repensar toda a forma de convívio Humano em todas as suas dimensões. Era preciso alfabetizar os camponeses, que seriam livres para o plantio, para pensar sobre suas condições. Por isso era preciso pensar livremente, era preciso pensar como não mais viver sob o manto do rei, e deixar recair sob os ombros de cada russo, a sua responsabilidade política de construir outra Sociedade.
Kandinsky e diversos outros artistas passaram a pensar livremente a sua arte. A Poesia se desenvolvia em cada esquina, as artes plásticas tiveram um furor de criação, há muito não vivido por diversos povos.
Kandinsky assinou o Manifesto Concretista para que a Arte servisse a Revolução. Todos tinham a tarefa de transformar coletivamente a Sociedade, e os artistas se propuseram assumir também esta responsabilidade. Fora professor, construiu museus nos lugares mais pobres da Rússia e foi conhecer a cultura do povo pobre.
 Mesmo Kandinsky não sendo um concretista, a Revolução iria melhorar a Vida de todos, já que todos defendiam o governo da maioria. Era o Comunismo como finalidade  e o Socialismo como um caminho. Kandinsky assumiu o papel de fazer a Revolução com a maioria.
 No entanto, com a morte de alguns líderes da URSS, Josef Stálin assumiu o poder e muitos foram expulsos, presos, obrigados a confessar crimes que não cometeram e o Socialismo se transformou num Capitalismo de Estado. Os expurgos foram muitos: líderes como Leon Trotsky, que fora chefe do exército Vermelho durante a Revolução, foi perseguido por Stálin e sua polícia e morto no México depois de passar por diversos países dominados pelo medo das polícias políticas da URRS e dos EUA, a KGB e a CIA respectivamente, que aumentavam seu contingente pelo mundo biplolarizado entre estes dois países com seus respectivos Sistemas em destaque: o Socialismo (que se tornou um  Totalitarismo depois da morte e do expurgo de seus principais líderes pelo poder totalitário de  Josef Stálin e sua polícia) ou o Capitalismo, que em suas formas de poder, se dividiu entre o nazismo, o fascismo o franquismo, ou o Capitalismo estadunidense. Um grave exemplo desta violência foi com a morte de Maiakovski, um dos mais completos artistas que se engajou na  Revolução. Muitos artistas não agradavam os poderosos: A arte faz o povo pensar.

Kandinsky continuou com sua arte, questionando estes rumos da URSS. Desfez-se do Manifesto Concretista, que tinha se desviado de princípios  de liberdade, para se tornar  a arte oficial da Revolução e impedia que seus artistas fizessem o que sentiam. Era o fim da Revolução e o início  da Reação, com o totalitarismo de Stálin. Kandinsky na Alemanha deu aulas na Escola Bauhaus, onde se correspondeu com artistas impressionistas. Como vimos em sala, o impressionismo nas artes plásticas se apresentava valorizando mais as cores que  os desenhos. Ao valorizar as cores, dá ênfase ao claro e ao escuro, dimensionando um caminho luminoso que o Ser Humano deve trilhar. É neste sentido que a arte impressionista dialoga com a teoria positivista no âmbito político. Ao invés do desenho, são as pequenas pinceladas que fazem da arte impressionista, singular. Na arte impressionista, percebemos como as formas escondem um véu de realidade que para estes artistas era uma questão. A realidade não estava fora do Ser, cada um traria dentro de si. Mas no impressionismo, a figura da realidade é que era importante. Na Alemanha, Kandinsky também começou a se confrontar com o novo governo que nascia: Hitler e o nazismo. Sua arte foi tida como suja, e ele foi obrigado a sair da Alemanha como muitos outros artistas.
Kandinsky  Seguiu para a França onde passou a conhecer e se relacionar com diversos artistas.
Ao romper com o impressionismo, se relacionou com diversos outras tendências da arte e passou a defender o expressionismo. O expressionismo deveria ser a expressão interior do artista, individual, emocional, de dentro para fora, diferente do impressionismo que defendia uma impressão da realidade. Daí  a relação entre Arte e Filosofia.
Ao dialogar com a música, trouxe o músico Arnold Schoenberg para o centro  da sua postura na arte, investigando a relação entre a música atonal e  a atonalidade das cores em sua arte plástica. Neste sentido, a música e a cor eram sensações importantes na experiência interior do artista.  Enquanto a música apresenta um tronco harmônico que podemos comparar com o refrão, a música atonal abandonava o refrão e punha em condição infinita a criação musical, que assim  Kandinsky também buscava. Assim como na música, Kandinsky comparava  o universo das cores, quando a mistura das cores davam tons infinitos em sua Obra.
Na França, as diversas tendências da Arte também dialogavam. A produção cinematográfica seguia o mesmo caminho. O espectador chegava  a receber uma cartela que era raspada ao iniciar o filme. Com esta cartela, o espectador sentia os cheiros construídos como parte da linguagem cinematográfica do filme que passava na tela, de cunho expressionista.
 Todos os sentidos eram fundamentais na arte, defendia Kandinsky. Ao criticar  a arte da vanguarda burguesa que defendia  a visão e a audição como sentidos primários e primeiros, e a realidade como  condição da igualdade de todos; os demais sentidos, eram vistos como secundários para a arte burguesa.
Kandinsky defendia então  que as cores tinham sentido. É Kandinsky quem vai relacionar as cores com as emoções. Para o artista, o vermelho deveria significar a paixão, o fogo; assim como o azul transmitia uma ideia de paz. Neste sentido que as cores ganham destaque em sua arte.
Kandinsky passa do expressionismo ao abstracionismo observando  o desfazer da concretude na arte. Desta vez dá mais liberdade às imagens soltas no quadro, como fossem notas musicais dançando, dando  movimento   a sua obra,  e, questionando os limites do quadro. Utiliza também areia para dar  a ideia de ir além do quadro, que deveria se desfazer  e dar liberdade aos sentidos, as emoções, à arte que para nós deixa um grande legado.
 Quando observamos a arte  em grafite, vimos o sentido da pulsação da arte de Kandinsky, além de transpor  a linguagem fechada e questionar  a arte de vanguarda e burguesa, fechada em círculos burgueses que não  deixarão de fazer da arte objeto de enriquecimento, com Obras em bolsas de valores e disputadas por  imperialistas que , dessa forma também manifestam seu poder e sua ideologia.
 A essência da Arte de Kandinsky pode ser sentida pelo grafite, mas também no Hip Hop como um todo, e em diversos movimentos culturais, artísticos das classes populares e religiosidade, também possibilitou que a arte fosse sentida pelas maiorias, como a arte em areia, pedras, muros e também por cegos e surdos que também se expressam artisticamente, porque na História da Arte, Kandinsky relacionou cores aos sentidos.
 Na Filosofia, a razão dá lugar aos sentidos,  Kandinsky questiona a razão única, o pensamento único,   que põe fim a liberdade criativa do Homem,  que deve pensar de dentro para fora sobre as questões que o dominam, como a mídia, os governos e tantas formas de dominação que o Ser Humano precisa libertar-se das  inúmeras correntes que adormecem os sentidos do Homem.

Por isso a Arte  apresenta, no caso de Kandinsky,  a forma mais palpável de pensar filosoficamente as questões que fazem parte  das Ciências Humanas,  e disso depende a transformação do Ser para construção de um Mundo justo, onde todos possam e devam se expressar sobre  questões que  oprimem  e  libertam para o conhecimento.

sábado, 14 de março de 2015

Filosofia: Uma abordagem

Nos remetemos a definição de Filosofia, da forma mais simples  para a mais complexa: Amor à Sabedoria. O aprofundamento  do conhecimento  para nós,  é a questão mais importante para o estudo da Filosofia. Para isso, precisamos  enxergar a realidade para além  do que a grande mídia e os sucessivos governos liberais nos relega: a superficialidade  do saber  e ainda  conceber a vida pela aparência e não pela essência das coisas, das pessoas e do mundo.
Por isso quando definimos a Filosofia  como "Amor à sabedoria" nos remetemos primeiramente ao "Amor, como um sentimento fundamental para a Filosofia, pois  nos  referimos a sensibilidade mais profunda do Ser Humano. O Amor  está presente em todos os Seres e todos os Seres Humanos nascem de uma relação de Amor. Se ainda, este sentimento não se universaliza aqui,  se faz presente  na busca pela realização do sentimento amoroso. Aqui concebemos o Amor num plano universal, que identificamos, ora no amor  entre os Seres Humanos,  entre o Ser  e os animais,  entre o Ser e  a música e para nós entre o Ser  e o Saber.
Quanto a relação  do amor ao saber, nos referimos a busca do ser humano   pela concretização do sentimento do amor. É preciso que  o Ser explique-se para o outro ou para concretizar o saber ; esta explicação acontece com o encontro do Ser como uma forma de Saber para além de um saber longe do Ser, pois se daria com a explicação do  próprio Ser diante do Saber,  o que definimos aqui como Sabedoria.  
Por isso essa explicação do Ser Humano é sempre singular, vem de cada Ser, e não se refere ao Saber descolado do Ser, por mais que  o saber em si possa ser o mesmo para todos, cada um concebe, explica de uma forma, que se relaciona com a vivência de cada um, com a sua cultura familiar, social e histórica diante do mundo, enfim, explica-se.
Por isso temos na busca do conhecimento, fases diferenciadas da aprendizagem: Num primeiro momento temos um contato com o saber,  em seguida podemos nos aproximar com o entendimento sobre o saber ora concebido, mas é com a compreensão que temos uma convivência com o saber, quando lembramos depois, fazemos relação com algo  que vivemos ou aprendemos e não esquecemos. Já a explicação é que remonta o sentimento do Ser e sua Singularidade. Nunca , porém explicamos algo, mas nos explicamos. Isto se dá em função da Singularidade do Ser e por isso um explicar-se; uma explicação diferenciada de cada Ser, diferenciada e diversa como vimos. Mas  para explicar-se, aliamos  esta experiência diferenciada de cada Ser , com a sua forma de sentir, pensar e agir, que alia a forma  de como este ser explica-se, pois traz em si um jeito diferenciado,  uma dimensão mais profunda, é neste momento que sobressai em cada um de nós uma Sabedoria, e, de forma individual, diferente e diversa  de qualquer outra.
 Por isso que a Filosofia se apresenta como definição profunda e urgente de cada Ser Humano: Quando sai da superficialidade, perpassa o sentimento e sai numa  busca profunda de cada Saber, e que se manifesta de dentro para fora, quando a Sabedoria se faz presente.
Em tempos de superficialidade midiática  e de saberes desencontrados dos Seres, a pulsação crítica de cada Ser Humano alia-se a necessidade de con-viver entre os Seres e  propõe outra forma de convívio humano.

Filosofia: O contexto da disciplina na atualidade

Entre 2014 e 2015  a grande mídia resolveu questionar  a avaliação do ENEM, tendo em vista, num primeiro momento, os resultados obtidos nas notas de Português e Redação. As respectivas notas eram demasiadamente díspares, pois  colocava em questão o estudo da gramática e sua aplicabilidade à redação. Os  resultados indicaram que, os excelentes resultados em Língua  Portuguesa foram muito maiores  que a Redação, que por sua vez tiveram notas muito baixas, numa proporção que ultrapassou  os 50 por cento de diferença.
Atualmente, além dos  professores dos diversos níveis  apontarem este problema,   desde  a luta pela construção por Diretrizes  e bases de uma educação nacional desde a década de 1980, este problema já estava em pauta. 
No entanto, as notas do ENEM tomaram a mídia em função dos interesses da grande burguesia em acabar com tal avaliação, já que a mesma contribui minimamente para democratizar  à educação para as classes menos favorecidas.
Sem esquecer da discussão mais ampla do intuito  da grande mídia e os interesses quanto à privatização da educação e tendo em vista  a dimensão política deste debate,  educadores de todo o país apontam  em pesquisas, teses, dissertações e congressos há mais de vinte anos,  a questão do aprofundamento dos temas  de redação, que passam necessariamente  pela prioridade  do aprofundamento sociológico e filosófico ancorado  nas demais disciplinas  das Ciências Humanas, como a História, a Geografia, a Língua Portuguesa e a Redação.
Na década  de 1980 quando  a Lei de Diretrizes e Bases  da Educação foi motivo de muito debate, muita luta,  cerca de  118 greves foram feitas no final da década de 1970 e início de 1980 e,  aliando à luta pela inclusão pelas maiorias das classes menos favorecidas nos bancos escolares, este número de greves passou a somar mais de 2 mil greves no final dos anos 1990 (NORONHA, 1991:95). Esta foi parte de uma luta  que se somava, inclusive,  à luta pela democratização da educação, com  professores e estudantes à frente das lutas e debates que levaram à  implantação da LDB, pautada  pelos próprios professores, mas que  no entanto,  só em 1996  a lei foi implementada pelo governo  Fernando Henrique. Mesmo assim depois que retirou-se  a pauta das mãos dos professores  e passou-a  para as mãos do Sociólogo Darcy Ribeiro, que fez a redação da lei para o governo.
  A Sociologia e a Filosofia foram retiradas por mais de vinte anos pelos sucessivos governos da Ditadura Civil Militar no Brasil (1964 -1985) do currículo escolar,   com a Lei 5.692 posta em prática  em  1971.
Na luta pela implementação da LDB - a Lei de Diretrizes e Bases  da Educação Nacional, apontavam a demanda da redemocratização do país  visando a necessidade  de   aprofundamento das Ciências Humanas, com a  reinserção do estudo da Sociologia  e da Filosofia junto a inclusão das maiorias  das classes excluídas na escola pública, que até o fim da Ditadura Militar em 1985 era privilégio das elites.
Embora a polêmica não pare por aí, foi retirado novamente  em 2014  do currículo do Ensino Médio, metade dos tempos de Sociologia e metade dos tempos de  Filosofia, ficando o debate, na esfera institucional( do governo) e com diversos professores abandonando as escolas, chegando   a mais  de 100 (cem) professores por dia no Estado do Rio de Janeiro,de acordo com  pesquisa feita em fevereiro de 2015 no Diário Oficial pelo blog observações educacionais.
A justa luta pela reinserção da Filosofia e da Sociologia no Ensino Médio nos faz pensar o porquê  da insistência em retirá-las da grade  curricular...com a máxima: Pensar é perigoso? Por qual motivo? 
Para nós, o aprofundamento de questões como estas não se deve restringir somente ao professor, já que o interesse pela educação provém também  do estudante e pela qualidade na educação para que possam continuar estudando, se insiram no mercado do trabalho,  e  sobretudo passem a ver seus direitos respeitados e por isso  saibam os caminhos de conquistá-los.