domingo, 15 de novembro de 2015

Por Filosofias Afros



Em toda a modernidade construiu-se teorias, conceitos e ideias que tiveram como resultados, guerras e colonizações, fundadas em perspectiva nazifascista, e, portanto, racistas. Esta ideia foi pautada em teorias universalistas, ao invés de pluralistas. Na maioria das vezes consideravam que a África era um continente a-histórico (sem História).
O evolucionismo foi uma perspectiva que, na maioria das abordagens, se referia a evolução ou desenvolvimento da Europa como prioridade, enquanto as Américas e a África viviam para servir de fonte de matérias-primas para o acúmulo capitalista e por isso, a reboque das nações Ocidentais.
Por muitos séculos desprezou-se teorias milenares e diversas: Excluíam, com isto, a Filosofia oriental, africana, latino-americana, e, neste ultimo caso, as filosofias  predominantemente indígenas.
Apenas na contemporaneidade foi possível recuperar importante acervo teórico dos diversos povos que em muito vieram a contribuir com todas as ciências, o que nos fez identificar a pobreza e a limitação do saber Ocidental. As filosofias que tem sido resgatadas, trazem, na dimensão da aprendizagem, um grande aprofundamento de estudos diversos.
O Mito, o Rito e o Corpo são resgatados do esquecimento do conhecimento. O evolucionismo, apesar da exclusão das teorias das elites, trouxe o filósofo Karl Marx, com a possibilidade da História e da Filosofia das maiorias, e só recentemente foi possível identificar seus sujeitos históricos.
O Mito trouxe dos conhecimentos indígenas e africanos, a origem de tantos saberes que o mundo cristão aboliu com apenas duas dimensões Humanas: o bem e o mal.
O Rito trouxe o exemplo de como os anciãos, os sábios na África e nas Américas (indígenas), ensinam seus jovens; a partir do fazer e do exemplo.
O Corpo trouxe estudo da expressão relacionada aos sentidos, à intenção e as religiões que passam pela ciência e pela leitura da Natureza como centro.
“A História Oral trouxe para nós, a dimensão de que na África, quando um velho morre, é toda uma biblioteca que se queima”. Quem aprofundou este estudo foi o pensador Amadou Hampate Bâ. Para o Filósofo, “a escrita é uma coisa e o saber é uma outra. A escrita é a fotografia do saber, mas ela não é o saber em si. O saber é uma luz que está dentro do Homem. Ele é a herança de tudo que os antepassados haviam conseguido conhecer, o que eles nos transmitiram em semente, como um baobá está para o seu grão.”
 Além da História Oral temos a Etnografia, que trouxe-nos a possibilidade de diversas vivências possíveis. Entre seus pressupostos, à Antropologia que dimensiona o “Outro” como o mais importante dos estudos: se colocar no lugar de um desconhecido, para que, além de buscar  um saber racional, possamos dimensionar o Ser Humano mais profundamente, pois  é indispensável senti-lo.

FONTES:

Ø  NASCIMENTO, Elisa L. (org.). Afrocentricidade: uma abordagem epistemológica inovadora. SP: Selo Negro, 2009.

sábado, 19 de setembro de 2015

Por uma História Social da Ética

 A Ética tem sido tema discutido nas diversas sociedades desde a antiguidade até os dias atuais. Há uma enorme diferença nos diversos contextos históricos, mas sempre ocupou corações e mentes que pulsam para tomar as melhores ou mais sensatas decisões. É na relação entre Ética ( que ocupa lugar na construção mental do Ser Humano); e a Moral( que se refere a ação prática do Ser, que este Ser constrói sua identidade.
Na antiguidade foi a divergência entre a teoria e a prática que ocupou o lugar da Filosofia. E foi no nascimento da Filosofia que o tema da ética esteve presente: os Sofistas ocuparam o lugar do Conhecimento neste período. O conhecimento significava o bom discurso, a arte da oratória. Sócrates foi quem questionou que o discurso sem prática não levava a um conhecimento que permitisse ao Ser Humano se conhecer e melhorar a vida das pessoas. Sócrates inaugura perguntas que levariam ao Conhecimento: quem, quando, onde e porque, são as mais conhecidas e que levaram ao aprofundamento e a prática do conhecimento.
Na Idade Média o conhecimento Ético teve uma interrupção com a junção da Igreja com o Estado, quando a Igreja ditava as regras de toda a sociedade e se baseava no direito consuetudinário, ou seja, de uma lei baseada nos costumes religiosos. Alia-se a isto, o fato da proibição da leitura, onde só uma bíblia podia ser lida em voz alta, com o canto gregoriano. Assim, só poderia agir, a partir destes costumes; qualquer outra forma de pensar e agir eram vista como crime.
Na Idade Moderna, a abolição dos feudos e a construção do Estado Nacional Moderno, levou aos reis, com a dificuldade de reinar um grande território, uma nação e não mais um feudo. A partir de então, a leitura passou a ser uma necessidade, onde se recomeçou a ler, traduzindo os clássicos antigos, retomando onde a humanidade havia parado. Desta vez a discussão era a Arte de governar, de viver, cultivar e o saber criar - a ciência ganha destaque. Os modernos aprofundaram a questão da ética e a relação entre ética e moral, ou seja, a teoria e a prática ética, que reconfigurou todo o período moderno.
Na Idade Contemporânea, a ética se torna atomizada, ou seja, individualista ao extremo. Como a divisão de classes sociais se tornou mais forte, passou-se a perceber que não havia mais a busca por uma Ética Universal, e sim a busca de uma minoria, pelo lucro máximo. Aliada a discussão da tecnologia, por exemplo, trouxe-nos a discussão dos interesses cada vez mais individualizados.

 A Ética se tornou uma questão fundamental nos dias atuais, com a emergência da Filosofia e das demais áreas humanas na escola que os governos insistem em retirar do currículo escolar, dificultando o pensar antes de agir, o Ser mais importante do que Ter, a Humanidade mais importante que o lucro, o que contribuiria para um mundo mais harmonioso e justo e por isso, muito perigoso para as classes dominantes.

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Livro didático de Filosofia

http://home.ufam.edu.br/andersonlfc/Economia_Etica/Convite%20%20Filosofia%20-%20Marilena%20Chaui.pdf

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A Pólis grega: o início do direito à cidade

A Grécia  no período Arcaico ( entre os séculos VIII a. C.  e  VI a. C.)passou por transformações nas relações econômicas, sociais e políticas que se traduziram em questões fundamentais do período, tais como a re-descoberta da escrita; a moeda  com a democratização do valor; a lei escrita sem a interpretação do mito vislumbrando a ideia  da vontade divina; e o nascimento da Polis, onde elaborou-se a ideia de justiça.
Quanto à escrita, já existia no mundo micênico, mas desapareceu no século XII a.C.  e ressurgiu apenas  entre os séculos IX e VIII a. C. por influência dos Fenícios. É a fixação da palavra para além do discurso, desta vez com rigor e compreensão, e o estímulo ao pensamento crítico e a abstração, com  reflexão aprimorada e profunda.
Quanto à moeda, foi inventada com o desenvolvimento do comércio marítimo e  a expansão da colonização da Magna Grécia ( atual Sicília e Sul da Itália) e da Jônia ( hoje litoral da Turquia). A moeda veio facilitar negócios e impulsionar  o comércio, enriquecendo comerciantes, o que acelerou a substituição de valores aristocráticos por valores da nova classe em ascensão -  foi a democratização do valor. A moeda sobrepunha aos símbolos sagrados, com o caráter racional em sua concepção: Passa a ser uma convenção Humana com a noção abstrata de valor que estabelece medida comum de valores diferentes.
A lei escrita possibilitou a justiça. Legisladores como Drácon, Sólon e Clístenes sinalizavam uma Nova era, pois até então, a justiça dependia da interpretação da vontade divina ou da arbitrariedade dos reis que utilizavam os mitos e interpretavam a seu favor. A norma se tornou comum a todos os cidadãos e sujeita a modificação.
O nascimento da Polis (cidade grega); se deu por volta dos séculos VIII e VII a.C. e orginalmente a Polis tem como centro, a Ágora( Praça pública) espaço onde era debatido os problemas de interesses comuns.
Assim elaborava-se o ideal de justiça pelo qual, todo cidadão tinha o direito ao poder.
 A noção de justiça assumia caráter político e não apenas moral, ou seja, não dizia respeito apenas ao indivíduo e aos interesses da tradição familiar, mas  a sua atuação na comunidade.
Assim ficava garantida a Isonomia (igualdade perante a lei). Do mesmo modo que a Isegoria, significava a igualdade do direito à palavra na Assembleia. De fato a Polis (no caso, o direito à cidade) se fez pela autonomia da palavra e não da palavra mágica dos Mitos, dada pelos deuses e, portanto comum a todos, mas a palavra humana, do conflito, da discussão, da argumentação.
Expressar-se por meio do debate fez nascer a política que permite ao indivíduo tecer seu destino na praça pública. Da instauração da ordem humana surgiu o Cidadão da Polis, antes inexistente no mundo da comunidade tribal e das aristocracias rurais.
No entanto, ainda que a democracia fosse direta, em que não eram escolhidos representantes, mas cada cidadão participava ele mesmo das decisões de interesse comum (neste caso o apogeu se deu no período do governo de Péricles, ano V a.C.). É preciso ressaltar que a maior parte  da população se achava excluída do processo político, tais como os escravos capturados em suas tribos e cidades além mar e as mulheres e os estrangeiros (metecos), mesmo que estes fossem prósperos comerciantes.
Apesar disso, o que vale enfatizar são a transformação e uma concepção inovadora de poder, a democracia. O que ficou como um legado deixa também anunciar  o seu porvir: a liberdade e a igualdade estendida para que todos tenham direito à cidade e sejam realmente cidadãos.

Fontes:
 KONDER, Leandro. Filosofia e Educação – de Sócrates a Habermas: Forma & Ação; In “Fundamentos da Educação”, org. por Zaia Brandão,  . Rio de Janeiro; Departamento de Educação da PUC-Rio; 2006.

 ARANHA, Maria Lúcia de A. “Filosofando: introdução à Filosofia” 5ª ed. São Paulo; Moderna, 2013.

terça-feira, 2 de junho de 2015

Filósofos no tempo: Fragmentos e síntese de uma geração...



Fragmentos no tempo: Os Filósofos Pré-Socráticos e a síntese dos educandos de uma geração

Na Exposição que ora apresentamos, dimensionamos o trabalho de aprendizagem em sala de aula a cerca dos Filósofos Pré-socráticos. Denominamos Pré-socrática, a referência de Sócrates, representante do pensamento clássico que influenciou os grandes filósofos da antiguidade e até os dias atuais nos apresenta sua atualidade, que por sua vez continuaremos a trabalhar neste bimestre. Como muitas obras dos primeiros filósofos foram perdidas, restando fragmentos e comentários feitos por filósofos posteriores e soltas num longo período, é que resolvemos apresentar suas frases também soltas, tais como foram recuperadas ao longo do tempo e que até os dias atuais continuam nos levar a reflexão filosófica. Os Filósofos Pré-socráticos abandonaram os relatos míticos e buscaram respostas por si mesmos por meio da razão. Neste sentido, apresentamos aqui, além da citação de alguns dos filósofos pré-socráticos, o pensamento em grupo dos educandos, com o objetivo de discutir a filosofia e o filósofo de forma mais ampla, ou seja, retomando a ideia de que somos todos filósofos. Além disso, dos fragmentos aqui expostos, refizemos o caminho da pesquisa de cada pré-socrático, trabalhando trandisciplinarmente a compreensão, a reflexão e desta vez a síntese aqui exposta neste trabalho. Tomamos ainda, a estética do cordel, redimensionando-a numa perspectiva atual, colorida e envolvente da geração dos nossos educandos que apresentam aqui a Filosofia no tempo presente.

sábado, 30 de maio de 2015

Leandro Tristan: Um ensaio em homenagem ao Filósofo Leandro Konder

Em homenagem ao filósofo Leandro Konder, foi feita neste ano, a republicação da revista com um ensaio sobre Flora Tristan escrita pela professora e agora disponível por aqui...Confira artigos, ensaios, entrevistas e textos pesquisados especialmente para esta publicação. Você pode ler on line ou baixar em pdf para o seu smartphone ou pc no link a seguir: http://www.academia.edu/10304364/Chronos_UNIRIO_Leandro_Konder