Em toda a modernidade construiu-se teorias,
conceitos e ideias que tiveram como resultados, guerras e colonizações,
fundadas em perspectiva nazifascista, e, portanto, racistas. Esta ideia foi
pautada em teorias universalistas, ao invés de pluralistas. Na maioria das
vezes consideravam que a África era um continente a-histórico (sem História).
O evolucionismo foi uma perspectiva que, na
maioria das abordagens, se referia a evolução ou desenvolvimento da Europa como
prioridade, enquanto as Américas e a África viviam para servir de fonte de
matérias-primas para o acúmulo capitalista e por isso, a reboque das nações
Ocidentais.
Por muitos séculos desprezou-se teorias milenares
e diversas: Excluíam, com isto, a Filosofia oriental, africana,
latino-americana, e, neste ultimo caso, as filosofias predominantemente indígenas.
Apenas na contemporaneidade foi possível recuperar
importante acervo teórico dos diversos povos que em muito vieram a contribuir
com todas as ciências, o que nos fez identificar a pobreza e a limitação do
saber Ocidental. As filosofias que tem sido resgatadas, trazem, na dimensão da
aprendizagem, um grande aprofundamento de estudos diversos.
O Mito, o Rito e o Corpo são resgatados do
esquecimento do conhecimento. O evolucionismo, apesar da exclusão das teorias
das elites, trouxe o filósofo Karl Marx, com a possibilidade da História e da
Filosofia das maiorias, e só recentemente foi possível identificar seus
sujeitos históricos.
O Mito trouxe dos conhecimentos indígenas e
africanos, a origem de tantos saberes que o mundo cristão aboliu com apenas duas
dimensões Humanas: o bem e o mal.
O Rito trouxe o exemplo de como os anciãos, os
sábios na África e nas Américas (indígenas), ensinam seus jovens; a partir do
fazer e do exemplo.
O Corpo trouxe estudo da expressão relacionada aos
sentidos, à intenção e as religiões que passam pela ciência e pela leitura da
Natureza como centro.
“A História Oral trouxe para nós, a dimensão de
que na África, quando um velho morre, é toda uma biblioteca que se queima”.
Quem aprofundou este estudo foi o pensador Amadou Hampate Bâ. Para o Filósofo, “a
escrita é uma coisa e o saber é uma outra. A escrita é a fotografia do saber,
mas ela não é o saber em si. O saber é uma luz que está dentro do Homem. Ele é
a herança de tudo que os antepassados haviam conseguido conhecer, o que eles nos
transmitiram em semente, como um baobá está para o seu grão.”
Além da
História Oral temos a Etnografia, que trouxe-nos a possibilidade de diversas
vivências possíveis. Entre seus pressupostos, à Antropologia que dimensiona o
“Outro” como o mais importante dos estudos: se colocar no lugar de um
desconhecido, para que, além de buscar um saber racional, possamos dimensionar o Ser
Humano mais profundamente, pois é
indispensável senti-lo.
FONTES:
Ø
NASCIMENTO, Elisa L. (org.). Afrocentricidade:
uma abordagem epistemológica inovadora. SP: Selo Negro, 2009.
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