O Mito da caverna
Na Grécia Antiga, entre o século V e
IV a.C foi quando os pensadores passaram a investigar as questões
humanas. Este período é marcado pelo surgimento da cidade de Atenas. Em função
de o Filósofo Sócrates ter dado a maior contribuição ao conhecimento, este
período passou a ser denominado Socrático. Sócrates preocupou-se com as causas
das ilusões, dos erros e da mentira. E em busca da verdade, utilizou as
perguntas que até hoje norteiam o caminho para o conhecimento: O que,
onde, quando, qual e como. Com sua morte, Platão prosseguiu este estudo
distinguindo crença, ilusão e aparência, diferenciando-as da essência e da
realidade, que deveriam fazer parte da constituição do Ser Humano. Por
isso e para contar a História de Sócrates como parte da própria História do Conhecimento,
Platão escreveu um dos mitos mais importantes sobre a origem do
conhecimento: O Mito da Caverna.
O Mito da Caverna foi contado por
Marilena Chauí, uma das maiores filósofas de nosso tempo, que tanto nas
Universidades, quanto escrevendo livros didáticos para escolas,
contribuiu para que todos tivessem acesso ao conhecimento e de como
se faz História: Imaginemos então, uma caverna subterrânea onde, desde a
infância, geração após geração, seres humanos estão aprisionados. Suas pernas e
seus pescoços estão algemados de tal modo que são forçados a permanecer sempre
no mesmo lugar e a olhar apenas para frente, não podendo girar a cabeça nem
para trás nem para os lados. A entrada da caverna permite que alguma luz
exterior ali penetre, de modo que se possa, na semi-obscuridade, ou seja, na
sombra, enxergar o que se passa no interior da caverna. A luz que ali
entra provém de uma imensa e alta fogueira externa. No exterior, portanto, há
um caminho ascendente ao longo do qual foi erguida uma mureta, como se fosse a
parte fronteira de um palco de marionetes. Ao longo dessa mureta-palco, homens
transportam estatuetas de todo tipo, com figuras de seres humanos, animais e
todas as coisas. Por causa da luz da fogueira e da posição ocupada por ela, os
prisioneiros enxergam na parede do fundo da caverna as sombras das estatuetas
transportadas, mas sem poderem ver as próprias estatuetas, nem os homens que as
transportam. Como jamais viram outra coisa, os prisioneiros imaginam que as
sombras vistas são as próprias coisas. Ou seja, não podem saber que são
sombras, nem podem saber que são imagens (estatuetas de coisas), nem que há
outros seres humanos reais fora da caverna. Também não podem saber que enxergam
porque há a fogueira e a luz no exterior e imaginam que toda luminosidade
possível é a que reina na caverna.
Para Platão, seguidor dos ensinamentos de
Sócrates, as perguntas são a possibilidade de encontro com o conhecimento. Ele
escreve então os ensinamentos do seu mestre Sócrates através do “mito da
caverna” e suas perguntas que levam ao conhecimento: E se alguém libertasse os
prisioneiros? Que faria um prisioneiro libertado? Sócrates então seguia o
percurso de suas perguntas e testava suas respostas: Em primeiro lugar,
olharia toda a caverna, veria os outros seres humanos, a mureta, as estatuetas
e a fogueira. Embora dolorido pelos anos de imobilidade, começaria a caminhar,
dirigindo-se à entrada da caverna e, deparando-se com o caminho da luz, nela
adentraria. Num primeiro momento, ficaria completamente cego, pois a fogueira
na verdade é a luz do sol e ele ficaria inteiramente ofuscado por ela. Depois,
acostumando-se com a claridade, veria os homens que transportam as estatuetas
e, prosseguindo no caminho, enxergaria as próprias coisas, descobrindo que, durante
toda sua vida, não vira senão sombras de imagens (as sombras das estatuetas
projetadas no fundo da caverna) e que somente agora está contemplando a própria
realidade.
Desta vez, libertado e conhecedor do mundo, o
prisioneiro regressaria à caverna, ficaria desnorteado pela escuridão, contaria
aos outros o que viu e tentaria libertá-los. Que lhe aconteceria nesse
retorno? Os demais prisioneiros zombariam dele, não acreditariam em suas
palavras e, se não conseguissem silenciá-lo com suas caçoadas, tentariam
fazê-lo espancando-o e, se mesmo assim, ele teimasse em afirmar o que viu e os
convidasse a sair da caverna, certamente acabariam por matá-lo. Mas, quem sabe,
alguns poderiam ouvi-lo e, contra a vontade dos demais, também decidissem sair
da caverna rumo à realidade?
Dessa forma, Platão continua a História: O
que é a caverna? O mundo em que vivemos. Que são as sombras das estatuetas? As
coisas materiais e sensoriais que percebemos sem conhecê-las. Quem é o
prisioneiro que se liberta e sai da caverna? Aquele que busca conhecimento
verdadeiro. O que é a luz exterior do sol? A luz da verdade. O que é o mundo
exterior? O mundo das ideias verdadeiras ou da verdadeira realidade. Por que os
prisioneiros zombam, espancam e matam o filósofo? Platão está se referindo à
condenação de Sócrates à morte pela assembleia ateniense, pois imaginam
que a sombra ou a meia verdade é o mundo real e o único verdadeiro.
Fabíola Camargo.
Bibliografia: CHAUÍ, Marilena, “Convite à
Filosofia”. Editora Ática,1998.
Perguntas:
1)Identifique a passagem dos sofistas para o mundo socrático: Consulte
seu caderno.
2) Qual a diferença entre a caverna e o conhecimento¿ Qual a relação
entre sombra e a meia verdade?
3)Perceba e escreva o que há de diferente entre a
essência do conhecimento e a aparência:
4) O que é a caverna¿ Quem sai da caverna está em busca
de quê?
5)Relacione a caverna com as mídias nos dias atuais?
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